sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

PAREDES FINAS DEMAIS

Barata Ribeiro
Patroa foi viajar com as crianças para o litoral, aproveitar este período de descanso da Justiça para relaxar, muito justo por sinal. Mais justo que isso foi a minha sogra ter ido junto, ficando somente eu e o gato, que a maioria aqui conhece pelo bichano gordo que divide o sofá da sala.

A empregada ficou, bem, pelo menos eu a vi pela manhã e quando cheguei em casa encontrei um monte de roupa no varal e comida no fogão, uma puta macarronada com tudo a que tem direito. E foi só. Antes isso que chegar em casa e encontrá-la com o safado do porteiro, outro que não vale nada e enche a porra do meu saco toda vez que nosso time vai jogar.

Ao contrário dos outros dias, consigo sair cedo do trabalho, sentindo até um sentimento de culpa por não conseguir fazer isso quando todos estão em casa. Sabendo que ia dividir a cama com a minha mão e o controle remoto peguei uns dois filmes na locadora, mas a julgar pela hora, com sorte chego na metade do primeiro.

Cerveja que tinha na geladeira acabou. O gato fica me rodeando mas não dou nem papo, porque comida tem, caminha quentinha só com a mamãe dele que está tomando uma puta de uma chuva na praia e ainda por cima ficou com um quarto com goteira. Não poderia ser pior. Ah, sim. Poderia,
ainda é terça, só volta sexta. Quer apostar quanto que só porque é o final de semana do de peladas da minha turma além do sol sair vai fazer um calor infernal?

A macarronada já era, aliás, estou no segundo prato. Nada pra fazer, não vou conseguir pagar minhas contas agora mesmo, deixo esta humilde mensagem com algumas constatações:

* Nada melhor do que cagar com a porta aberta, vento corrente e sem pressa;
* Meu apartamento produz muito eco, dá para ouvir o chuveiro pingando do corredor;
* Preciso abaixar o som dos meus jogos, principalmente depois de uma da manhã;
* Devia ter pegado um filme pornô, televisão aberta não acontece nem um peitinho;
* Lavar a louça para que? A empregada volta, não volta!??!?
* Ficar de cuecas na sala é o que há!
* Não tem ninguém para comprar coca cola para mim;
* O corredor é ótimo para andar de skate;
* Dá o maior eco quando se joga bombinha pela janela que dá para o estacionamento;
* Interfone toca todo dia mas não atendo;
* Alguém deixou a geladeira aberta, a única lata de cerveja ficou choca;
* Ninguém fica online no dia 2 de janeiro;
* Qualquer apartamento da Barata Ribeiro sofre de paredes finas.

Amanhã tem mais, vou dormir
porque ouvi sirenes na rua
e alguém batendo na porta.

Tomara que não seja comigo!


Texto publicado originalmente no blog Morava em Copacabana.

2008-06-25 14:23:56

Compro apatia do Leme

Vendo o bairro do Leme indo para o buraco com essa bandidagem tomando conta da vida e em breve das casas de vôces, sei de um produto que anda sobrando no Leme do qual me interessa muito que é apatia. Aviso a todos que ando comprando apatia de todas as formas pode ser líquida, sólida ou gasosa. Esse material é farto com o povo do Leme. Compro apatia e vendo para países desenvolvidos que tem a mania esquisita de lutar, reclamar e cobrar por seus direitos como a decadência de uma cidade, por exemplo. Eu vendo, para eles adotarem o correto jeito de ser do povo lemense.

Publicado originalmente por Haroldo na Comunidade Leme no Orkut

Entenda a situação do Leme clicando aqui

2008-05-23 11:03:58

O cheiro do éter

Vivi uma infância entorpecida pelo éter em Copacabana, para onde me mudei aos 7 anos, depois de sair da Ilha do Governador. O cheiro espalhava-se pelo Posto 5, no rastro de um grande homem andrajoso freqüentemente visto arrastando-se pela Barata Ribeiro. Ele rondava a famosa - e fechada - farmácia Piauí, quase na esquina de Constante Ramos, mas não sei se comprava o vidrinho do produto ali. Os conservadores moradores usavam aquela figura, se não me engano, chamava-se Eduardo, para afastar os filhos das drogas naqueles anos 70. Diziam ser ele um rico herdeiro que havia enlouquecido por causa de maconha, cocaína e ácido e que, agora, afastado da família abastada, pedia esmolas para comprar éter. Eu o vi várias vezes dando suas cafungadas no paninho embebido do líquido, mas nunca acreditei muito no papo da riqueza dele. Para mim, o mendigo era triste, muito triste, e isso só poderia se explicar por alguma desilusão romântica. Inventei uma história para o homem que por um tempo ocupou o lugar das minhas bonecas nas brincadeiras de desvarios. Ele não seria do bairro, mas teria ido à praia lá e encontrou uma 'cocota', por quem se apaixonou. A moça o esnobava, mas ele não ligava, só queria ficar perto dela. Nunca mais voltou para casa, vivendo da piedade alheia. O tempo passou, ela se casou com outro e mudou de lá. Alucinado de dor, o pobre passou a se anestesiar com éter. Fez voto de silêncio - realmente, nunca ouvi sua voz -, parou de tomar banho e fugiu do lugar-comum chamado realidade. Procurava seu amor contrariado sempre rondando quatro quarteirões. Em vão. Seu pé, inchado como seu fígado, sangrava, assim como seu peito. Um dia, Eduardo chorou muito, e as lágrimas cheiravam a éter. Ele, então, cobriu os olhos e o nariz com seu paninho sujo e ficou agonizando três dias assim. Depois disso, ninguém mais o viu. Eduardo sumiu. Virou folclore para os copacabanenses e marco de tristeza para mim.

Originalmente publicado por Ana Silvia Mineiro em Válvula de Escape

2008-04-27 18:31:29

Copacabana

Chegava em casa todos os dias por volta das 7:00h da noite. Ia até a janela e olhava o movimento da Rua Santa Clara. Agitada como sempre àquela hora e por horas mais ao longo da noite. Copacabana era o sonho dourado de notívagos e boêmios a procura de diversão e notoriedade para uma noite só.

Mas não ela...

Chegara a alguns anos do interior do estado à procura de oportunidades melhores na vida e tudo que conseguira foi muito trabalho como garçonete em uma pizzaria “pé sujo” durante a noite, um kitnet apertado próximo ao trabalho, que agora conseguia manter sem dividir com nenhum amigo da “noite”, e pagar a faculdade em que estudava farmácia à tarde e sustentava com a bolsa que conseguira trabalhando na própria faculdade de manhã, quase virada do trabalho da noite.

Não tinha importância. Em breve arrumaria um estágio, pois já estava no sétimo período e largaria a pizzaria. Embora se quisesse, poderia se arrumar vendendo aos freqüentadores da pizzaria, algumas drogas que já sabia manipular, como sabia que algum de seus colegas inescrupulosos fazia, talvez se desse melhor. Mas não... Já havia passado por muito para se sujar por tão pouco.

Aquela noite estava começando estranha... Não sabia o que era. A garganta seca e apertada como se alguém quisesse a sufocar... Foi tomar banho para ir trabalhar.

25 anos, um belo corpo e cabelos longos, castanhos e lisos amarrados em um coque para compor com o boné da pizzaria. Estava vestida com o uniforme de trabalho e já ia descendo de elevador quando escuta seu nome no corredor...

- Beatriz. Beatriz.

Ela não podia acreditar. O que sua professora de fitoquímica fazia ali naquele corredor?

- Profª Mirza! O que faz aqui?

Espantada e assustada por estar diante de sua apaixonante musa inspiradora... Aquela que desde há dois anos vem povoando seus sonhos mais indiscretos. Que deixa todas as quintas-feiras o perfume impregnar suas narina e sua alma, fazendo com que seu patrão resmungue por estar tão dispersa na noite.

- Procurei você na faculdade a tarde toda. Não consegui te achar então tive que pegar seu endereço para te encontrar...

- Não tô entendendo...

- É que surgiu uma oportunidade de estágio na empresa farmacêutica em que sou chefe de laboratório e sempre ponho meus alunos mais aplicados...Não gosto de trabalhar com pessoas que não conheço. É uma multinacional e trabalhamos com muitos medicamentos do mercado e em pesquisas para novas formulações... Bem, gostaria de conversar com você se não tiver te atrapalhando. É estágio remunerado e eles pagam direitinho.

- Não sei nem o que dizer...

- Não quer me convidar para o seu apartamento? Talvez você não precise mais trabalhar na pizzaria... A voz de Mirza estancou nesse momento.

“Como ela sabe que trabalho na pizzaria?!!”

- Sei muito a seu respeito Beatriz. Não quer me convidar para seu apartamento? Insistiu Mirza

Desorientada e alquebrada pela sua secreta amada, retorna no corredor e abre a porta do apartamento...

Ao entrar sente mãos desejosas em seu ombro e cintura...”Não posso acreditar...eu estou alucinando...fiquei tempo demais no laboratório da faculdade hoje...estava sem máscara, devo ter inalado alguma substância sem querer...”

Não teve tempo de pensar em muita coisa, estava nos braços e sendo beijada pela mulher que mais amava, que mais desejava...

Mirza passou suas mãos pela nuca retirando o boné e desfazendo o coque. Após desceu as mãos ao longo do corpo de Beatriz. Flancos, quadril e coxas... Subiu novamente as mãos para os seios, segurava-os enquanto beijava a boca de Beatriz como se estivesse sorvendo louca, o licor de seus lábios. Não permitiu que Beatriz interrompesse o interlúdio se apressando a abrir a blusa. Ouvindo os gemidos de Beatriz, Mirza se tornou mais voraz e conduziu-a até o sofá cama que se encontrava a dois passos delas. Deitou-a mantendo-a em seus braços e sem emitir uma única palavra dirigiu o idílio amoroso.

Desarmada, Beatriz resolveu não pensar em “por quês” e simplesmente se abriu ao seu fervoroso e dedicado amor. Conduziu sua amada para entre suas pernas e apenas sorriu... Seus sonhos estavam começando a se tornarem reais...

Mirza: Persa, significa pessoa nobre. Aceita e enfrenta com naturalidade os obstáculos que encontra pela frente, mesmo os que parecem intransponíveis. Seu segredo está na perseverança e no otimismo. Só aceita como para uma pessoa de personalidade forte

Beatriz: Significa aquela que faz os outros felizes e indica uma pessoa bem disposta, capaz de fazer piada com tudo, para alegrar a si própria e para dar nova luz aos ambientes que freqüenta। Mas isso não impede que ela tenha um espírito crítico, capaz de distinguir com muita clareza o certo e o errado। Do latim "bem -aventurada".


Publicado por Carolina Bivard em Contos Lés

2008-04-16 13:53:40

Declinando Possibilidades

Belíssimo achado... Ser aquele violão: projeto satisfatório de uma vida. Cantos pelos cantos de Copacabana. Sussurros em fá menor. Barba na nuca, pescoço, seios, ventre, entre o mundo! Mas meu coração continua em paulicéia, desvairado, arvorado, virando latas, roendo osso, comendo se-midão, ganindo baixinho pra não incomodar a vizinhança.

Por
Angélica de Oliveira Castilho Rio de Janeiro, 6 de abril de 2008

2008-04-09 12:19:23

Um dia para ser lembrado

Aquele não seria um dia comum.

Quando Marcos acordou, notou que estava atrasado para o trabalho. A pilha do seu despertador de cabeceira havia terminado.

Para muitos isso seria um fato comum, que pode acontecer a qualquer um, mas para ele foi um sinal.

Marcos era do tipo supersticioso. Incapaz de passar por baixo de uma escada, sempre saia pela porta que entrava, facilmente ele trocava de calçada quando avistava um gato preto.

Ele levantou-se rapidamente na esperança de recuperar o tempo perdido mas a sua rotina diária foi implacável. Por mais que se esforçasse não conseguia agilizar a sua saída de casa. As leis da física o atrapalhavam em todos os sentidos. Como fazer a água do seu café ferver mais rápido do que o habitual? Como fazer para tomar banho e passar a sua roupa ao mesmo tempo?

Aos trancos e barrancos ele finalmente conseguiu se por a caminho do trabalho.

Tinha um bom emprego numa empresa de importação e exportação e gozava de certas regalias por ser um bom funcionário. Um pequeno atraso em nada abalaria o seu conceito já que isso nunca havia acontecido nos cinco anos em que trabalhava ali, mas mesmo assim, Marcos não se sentia a vontade naquela situação em que se encontrava. Como iria encarar os seus colegas de setor. Com certeza alguém faria uma piadinha que o deixaria vermelho de vergonha.

Resolveu pegar um táxi e com isso ganhar alguns preciosos minutos. O motorista era de poucas palavras e não fez a menor questão em conversar durante a corrida. Apenas a música do rádio quebrava o silêncio da viagem.

Na pressa, Marcos não comprou o jornal que sempre lhe fazia companhia no trajeto de casa para o trabalho. Lamentou o seu esquecimento mas ao mesmo tempo, notou que o seu pequeno lapso lhe economizou segundos preciosos na sua gincana.

Sem nada para monopolizar sua atenção durante a corrida do táxi, ele pôs-se à olhar pela janela as cenas do cotidiano. Cenas que rotineiramente não percebia. Ele apenas ouvia a música suave do rádio e olhava.

Ao passar por uma praça, viu um grupo de idosos fazendo uma aula de tai shi shuan. Ele se encantou com a alegria com que aquele grupo de pessoas de terceira idade se concentrava para acompanhar a professora naqueles gestos delicados e cheios de vida que mais parecia um ballet. Certamente já havia passado por aquela praça centenas de vezes mas nunca havia percebido o que se passava ali.

Ao parar em um sinal, pode ver um animado grupo de estudantes à caminho do colégio. Em um outro ponto, observou uma feira. Mais à frente um casal de mendigos. Foi quando seus olhos paralisaram em uma cena que mudaria a sua vida para sempre.

Ele olhava e não acreditava que nunca havia percebido que aquilo acontecia todos os dias e ele nunca havia notado antes.
Para fugir do engarrafamento, o motorista do táxi não seguiu o itinerário do ônibus e desviou sua rota pela orla de Copacabana. Mário ficou encantado com o que via pela janela do carro.

Claro que Mário conhecia a praia. Ele não era nenhum mineiro em visita ao Rio de Janeiro que se vislumbra com a imensidão do mar. Jamais provaria a água para ver se realmente é salgada. Mas aquelas pessoas em plena segunda feira desfrutando daquela maravilha toda o fez refletir sobre a vida que levava.

Lembrou-se da sua infância. Do tempo em que o peso na responsabilidade não lhe pesava nos ombros. Do tempo em que uma simples pipa era o suficiente para ser feliz.

Das brincadeiras com os amigos que o tempo e as circunstâncias da vida o havia afastado. Dos seus brinquedos, seu carrinho de rolimã, da sua bicicleta, nossa, a quanto tempo ele não andava de bicicleta.
Num impulso impensado Mário pediu para o motorista do táxi parar o carro.

Pagou a corrida, desceu do carro, tirou o paletó, desatou o nó de sua gravata e começou a andar naquela areia que lhe parecia mais branca do que nunca.

Ele resolveu que não seria mais escravo dele mesmo. Seus valores morais e éticos haviam mudado naquele instante. Ele não se transformaria num rebelde, num relapso, muito menos em um irresponsável, longe disso, mas mudaria os seus valores daquele momento em diante, aliás, ela já era outro homem.

Decretou que daquele dia em diante se preocuparia um pouco mais em como viveria a sua vida. Em como usaria o seu tempo. E principalmente, em como se relacionaria com as outras pessoas.

Andou a manhã inteira, pouco se importando com os olhares que lhe eram lançados. Sabia que calça e sapatos não combinam com a paisagem mas isso não lhe incomodava mais.

Pegou um ônibus e voltou para casa.

No trajeto, tentava se lembrar aonde havia guardado seu velho livrinho de telefones.

Iria ligar para todos seus antigos amigos que há muito não falava. Reatar suas antigas amizades, ouvir velhas estórias, revisitar seu passado e reatar toas as antigas amizades que conseguisse.
No dia seguinte quando chegasse ao trabalho explicaria o que aconteceu. Não inventaria nenhuma estória mirabolante porque mentir não era uma falha do seu caráter.

Contaria a verdade. Essa continuaria sendo a sua companheira inseparável.

Apenas queria retomar o tempo perdido.

Não aqueles poucos minutos que um par de pilhas velhas o roubou, mas sim, alguns anos que o cotidiano e as convenções da sociedade os haviam lhe tirado.

Mário estava certo.

Aquele não seria um dia comum.

Originalmente publicado em http://cesweber.blogspot.com/2008/04/um-dia-para-ser-lembrado.html por Cesar Weber

2008-04-07 17:38:05

Maçãs nunca foram só vermelhas

Se o olfato de Jean-Baptiste teve origem na fétida vizinhança em que nasceu o meu se formou no colo da mais cheirosa mulher: fosse dia ou fosse noite, dia normal ou dia de festa, de pijama ou de saída. Ainda vou encontrar, nas minhas viagens, o perfume Fracas que me despertou as narinas.

Os cadernos (e livros) eram encapados com papéis de presente e contact (aplicado perfeito e sem bolhas), arrumar a mochila para a escola tinha clima de Natal, manusear meu material escolar fazia com que me sentisse especial e única (tudo tinha uma cara gostosa e escolhida).

Meus cabelos eram penteados e amarrados com continhas coloridas em várias tranças, meus colares eram feitos de conchas catadas naqueles verões em Copacabana, tive biquinis feitos a mão, tênis pintados como aquarelas, calças com apliques de tecidos hippies e claro, não me lembro de um jeans que não fosse desfiado. Ter uma moda nossa era normal.

Festas eram normais, gente de todos os tipos e estilos era normal, cabeleleiros e maquiadores desbaratados, normal, ler Interview, normal, folhear Architectural Digest, normal, saber a diferença entre fúcsia e bordeaux, normal, saber como cheira a copaíba, normal. Em qualquer idade, que fique explícito, normal.

Bem que avisam que em algum momento o que ensinam faz sentido, a gente não acredita até que se percebe ou se enxerga (o que vier primeiro). Já me percebo. Mas ainda quero me ver pintada como meus tênis e contar estórias como as que aprendi com minha mãe.

Originalmente postado por Cristiana Rodrigues em
OutlanderCris


2008-03-28 10:40:08

O Ninja de Copacabana

É recorrente. Quando chega o fim de semana e preciso gerenciar meu tempo sempre penso a mesma coisa: porquê não sou um sujeito sistemático e disciplinado e não ponho-me a escrever histórias ou qualquer coisa dessas que ficam a noite toda na minha insônia querendo ser escritas? Um exemplo clássico. Pouca gente sabe mas Copacabana, nos anos noventa, teve um Ninja!

Naquele tempo, caminhávamos sempre atentos e buscando ser o mais discreto possível. O Ninja, suas estrelas e bolinhas que explodiam aterrorizavam o bairro. Sei, não precisa me aterrorizar, se ele ler isso, esse post-denúncia, eu posso não durar muito. Mas já sei como enganá-lo. Estudei sua trajetória por todo esse tempo.

É verdade, ele não era um homem bom e cordato, era um Ninja Vingador, rude e violento. Não era um Power Ranger amigo leitor. Meu trabalho de segui-lo, ver sua decadência com o tempo, a idade, a barriga já proeminente, as manias conservadoras, o gosto pela rotina e a constante insatisfação não foi de um “foca” de redação. Eu, apesar de toda indisciplina, acompanhei o caminhar do “Ninja de Copacabana”.

Eu sei, é verdade que ninguém sabe onde está sua famosa e justiceira Ninja To, à época comparada com a “lurdinha” de Tenório Cavalcanti. Suas estrelas voadoras e seus saltos históricos, antológicos mesmo. Sua capacidade de fuga quando queria assustar alguns amigos em pleno “Sangue & Areia”, futebol de praia noturno na princesinha do mar.

A violência é um tema na cidade e no bairro. Virou tema de um romancista policial, Garcia-Roza, que parece temer escrever sobre o Ninja de Copacabana. É fato, eu temeria. Ele era ruim.

Muito se fala seja na areia, no asfalto, nas comunidades, nos morros da cidade, daquele Ninja, justiceiro. Mas agora, depois de tanto tempo eu vou revelar. Sei que é arriscado. Mas vou revelar uma foto dele. Ai está o Ninja ainda criança com sua primeira Shuriken, a estrelinha Ninja, que ganhou do famoso Mestre Ninja Taputo Conada. É em primeira mão:

Ninja de Copacabana

Publicado Por Paulo Lima em O Ninja de Copacabana

2008-02-25 15:59:03